PENICHE e os Doces Conventuais

04-09-2020

Hey pessoal, como vocês estão? Espero que bem! Demorei um pouco para fazer o outro post da viagem de férias porque por aqui está uma correria, o restaurante voltou a funcionar na terça-feira (01/09) e para isso tivemos que fazer compras, produção, cardápios novos e por ai vai! Então estou voltando hoje!

Eu não sei vocês, mas para mim um dos pontos de ligação de norte a sul de Portugal são os doces de gemas e açúcar! Encontramos em qualquer pastelaria, sejam bem refinados ou de aspectos mais simples, polvilhados de açúcar, porém de sabor extraordinário, esse são os Doces Conventuais, uma tradição nascida dentro dos conventos e mosteiros em meados do século XIII e XIV para dar fim a grande quantidade de gemas armazenada.

Segundo a história, Portugal, nesse período, era uma potência na produção de ovos - haja galinha botando rsrsrs - onde a clara do ovo tinha maior importância por ser utilizada na clarificação de vinhos para a produção de vinho branco, na produção de hóstias, um dos elementos mais importante na religião católica e também para engomar as roupas da alta corte e clero, então o motivo de se ter tanta gema, a sobra do ovo.

Na maioria das vezes as gemas eram deitadas fora por não terem durabilidade, em alguns momentos, usadas para alimentar animais até que alguém resolveu juntar o açúcar e os doces surgiram, lembrando também que o açúcar até então tinha alto valor, Portugal não importava açúcar do Brasil e o uso do mel e da amêndoa era muito forte devido a influência dos Árabes. Como passar do tempo, os doces foram ganhando novos ingredientes como amêndoas, canela, hóstia, fios de ovos, marzipã e até bebidas alcóolicas, assim definindo personalidade a essa confeitaria que começava a ganhar visibilidade e que seria fonte de arrecadação para manter os conventos e mosteiros e suas ações sociais a partir do século XVIII.

Nessa viagem de férias fui provar os Doces de Peniche! Em um passeio rápido pelas pastelarias do centro antigo é possível encontrar os doces, uns dentro de embalagens individuais, outros sobrepostos formando uma torre, outros em formatos da letra S, sardinhas e muito mais! Devido o grande número de receitas e lugares recorri ao site do Virgílio Gomes, que é investigador em História da Alimentação e professor de Gastronomia e Cultura e da História da Alimentação. A partir disso localizamos a Pastelaria Roma, uma das mais antigas e que mantém a produção dos doces tradicionais respeitando as receitas e o fabrico caseiro.

Nessa prova fomos de Penichenses, um doce em formato de empada, que tem um recheio cremoso de gemas, açúcar e amêndoas e uma casquinha crocante de açúcar por cima, também provamos a Sra. Sardinha um doce frito em formato de sardinha recheado com doce de chila, os Pastéis de Peniche que também são frito e recheados com creme de ovos, e por último o São Marcos, um doce com pão d´ló, creme gelado de natas e doce de ovos.

Fica aqui uma sugestão, saia para provar os doces com os amigos, peça um de cada para partilhar e um café, pois há muito açúcar e delicie-se! 

Pastelaria Roma

  • Morada: · Largo Bispo de Mariana, 15b
  • 12520-229 Peniche
  • Telf. (+351) 262 782 541

Como referências para este post foram utilizados os segundos meios:

  • https://www.virgiliogomes.com/index.php/cronicas/911-doces-de-peniche
  • https://viagens.sapo.pt/saborear/gastronomia/artigos/os-amigos-de-peniche-um-roteiro-doce-e-com-historia
  • https://www.comidacomafeto.com/doces-conventuais/
  • https://www.pastelariasroma.pt/
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